O azeite, especialmente o Virgem Extra (AVE), é a estrela incontornável da Dieta Mediterrânica. Tornou-se sinónimo de “gordura saudável” e, para muitos de nós, é a base de quase tudo o que cozinhamos, desde o refogado ao tempero final da salada.

Mas será que o azeite é a única opção? E se quisermos fritar a alta temperatura? Ou fazer um bolo que não saiba a azeitona? Ou se, simplesmente, o preço do “ouro líquido” nos fizer procurar alternativas?

A verdade é que, embora o azeite seja excelente, não existe uma única gordura que seja “a melhor” para absolutamente tudo. A melhor alternativa ao azeite depende inteiramente do que vai fazer com ela.

Porque é tão difícil substituir o Azeite?

Antes de procurarmos substitutos, temos de perceber porque é que a fasquia está tão alta. O Azeite Virgem Extra brilha por duas razões principais:

  1. O Perfil de Gordura: É riquíssimo em gorduras monoinsaturadas (ácido oleico), que são famosas por ajudarem a proteger o coração.
  2. Os Antioxidantes: Está carregado de polifenóis, compostos anti-inflamatórios que dão aquele sabor picante e que se perdem noutros óleos mais refinados.

O desafio é encontrar óleos que se aproximem disto, ou que, pelo menos, sejam melhores para tarefas específicas.

A alternativa certa para a tarefa certa

Não há uma resposta única, por isso vamos dividir por necessidades. Qual é o seu objetivo?

1. Para Cozinhar a Altas Temperaturas (Saltear e Fritar)

Aqui, o azeite virgem extra não é a melhor escolha. O calor intenso pode destruir os seus polifenóis delicados e queimar o óleo (o chamado “ponto de fumo”).

  • A Melhor Opção: Óleo de Abacate Este é, provavelmente, o substituto mais direto em termos de perfil de saúde. Tal como o azeite, é rico em gordura monoinsaturada, mas tem uma vantagem enorme: um ponto de fumo muito elevado. Aguenta o calor extremo sem se degradar ou libertar substâncias nocivas.
    • Desvantagem: O sabor é neutro (o que pode ser bom) e o preço é, regra geral, ainda mais elevado que o do azeite.
  • Menção Honrosa: Óleo de Amendoim Também tem um ponto de fumo alto e é bom para salteados (muito usado na cozinha asiática), mas tem um sabor mais presente e é um alergénio comum.

2. Para Sabor Neutro (Bolos, Maionese ou Molhos Leves)

Se alguma vez tentou fazer um bolo de chocolate com azeite, sabe que o sabor se nota. Quando precisamos de uma gordura que “esteja lá sem se fazer notar”, queremos algo neutro.

  • A Melhor Opção: Óleo de Colza (Versão alimentar, também dito “Canola”) Este óleo é uma escolha surpreendentemente saudável e muito subestimada. Tem um perfil de gordura excelente: baixo em gordura saturada, alto em monoinsaturada (como o azeite) e ainda contém uma boa dose de ómega-3 de origem vegetal. É muito versátil e tem um preço acessível.
    • Cuidado: Procure versões de boa qualidade, idealmente prensadas a frio, se possível.
  • Alternativa: Óleo de Girassol “Alto Oleico” Atenção ao rótulo! O óleo de girassol comum é muito rico em ómega-6 (que a maioria de nós já consome em excesso). No entanto, a versão “alto oleico” foi desenvolvida para ser rica em ácido oleico (o mesmo do azeite), tornando-a muito mais estável para cozinhar e mais saudável.

3. Pela Relação Saúde/Preço (Uso Geral e Cozinha)

Se o objetivo é ter um óleo saudável para o dia-a-dia, que sirva para cozinhar e temperar, mas que seja mais amigo da carteira do que o AVE:

  • A Melhor Opção: Óleo de Colza Pelas razões já mencionadas acima, ganha em versatilidade, perfil nutricional equilibrado e custo.

E o famoso Óleo de Coco?

O óleo de coco está numa categoria à parte. Tornou-se muito popular, mas é nutricionalmente o oposto do azeite: é composto maioritariamente por gordura saturada.

Embora o debate sobre se a gordura saturada do coco é “melhor” que outras continue, a evidência científica é clara: não deve ser a sua gordura principal. O seu consumo excessivo tende a aumentar o “mau” colesterol (LDL), algo que o azeite ajuda a reduzir.

Veredito: Use-o se gostar do sabor (é ótimo em pratos tailandeses ou certas sobremesas), mas com moderação. Não o veja como um substituto saudável direto do azeite para o dia-a-dia.

Aplicação ao Dia-a-Dia: Como escolher no supermercado

  1. Evite “Óleo Vegetal”: Aquele rótulo genérico significa, quase sempre, uma mistura de óleos refinados (soja, milho) muito processados e ricos em ómega-6, que promovem a inflamação quando consumidos em excesso.
  2. Leia o Rótulo: Para óleos como o de colza ou girassol, veja se encontra a menção “prensado a frio” (melhor para usar em cru) ou “alto oleico” (melhor para cozinhar).
  3. Armazene bem: Tal como o azeite, os óleos oxidam com a luz e o calor. Guarde-os num armário escuro e fresco, longe do fogão.

Conclusão: Diversificar é a chave

Se o seu objetivo é temperar uma salada ou finalizar um prato para obter o máximo de benefícios anti-inflamatórios, o Azeite Virgem Extra continua a ser insuperável.

Contudo, para cozinhar a altas temperaturas, o Óleo de Abacate é tecnicamente superior em estabilidade. E para bolos ou um substituto versátil e económico, o Óleo de Colza é uma escolha nutricional excelente.

A melhor estratégia não é encontrar “um” substituto, mas sim ter uma pequena rotação de óleos de qualidade na sua despensa, usando cada um para a sua finalidade correta.

By goncalo

2 thoughts on “O azeite é rei, mas tem substituto?”

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